sexta-feira, 13 de julho de 2007

Conclusão - Parte 6/6 - Economia Solidária...

Euclides André Mance
Março de 2007

Conclusão

A economia solidária é a base material de um novo modo de produção, que está se expandindo em meio à revolução das redes, em processos colaborativos e solidários. Para muitos não é fácil entender o que é uma revolução. Período em que o novo nasceu, existe e cresce, mas em que o antigo ainda vigora e o combate. De fato, nesse sentido, "estamos vencendo", porque as redes se multiplicam, a economia solidária se expande e a capacidade de intervenção política dessas redes também – como mostram as eleições de governos populares na América Latina. Mas a expansão dessa revolução depende da capacidade de integramos as redes em "redes de redes", os movimentos em "movimentos de movimentos". Conectar o local e o global. E escolhermos, com critérios de economia solidária, os produtos que consumimos e o modo como consumimos. De nada valem belos discursos políticos de construção de um novo mundo, se nossas práticas econômicas cotidianas fortalecem justamente aqueles a quem combatemos, ao invés de fortalecer os circuitos econômicos da economia solidária.

Falar de 1,2 milhões de trabalhadores que atuam, integral ou parcialmente, na economia solidária no Brasil ou do surgimento de 1.250 empreendimentos ao ano, nos últimos cinco anos, pode parecer pouco. Mas o fato é que há dez anos esse fenômeno vem se mantendo continuamente e que há uma progressiva tomada de consciência dos que se integram nessa economia. E que redes e fóruns de economia solidária se multiplicam no país e no mundo, tanto ampliando o volume de transações econômicas solidárias nesse setor quanto avançando na expressão política de suas proposições.
Partindo da consciência de que estamos integrados nos ecossistemas, em uma mesma humanidade, entremeados em relações sociais e culturais que se realimentam do local ao global, a economia solidária busca promover o desenvolvimento sustentável, ecológica e socialmente, em proveito das pessoas, de suas comunidades e dos povos. Se uma das baces das redes de economia solidária é a produção de bens e serviços, a satisfação de necessidade sociais, a geração de excedentes econômicos, seu reinvestimento e a sua justa distribuição, outra delas é essa capacidade de tratar os ecossistemas, pessoas, sociedades, conhecimentos e sensibilidades de maneira solidária, em redes colaborativas, considerando ao mesmo tempo o bem-viver de cada pessoa e de todos os povos, zelando pela sustentabilidade do desenvolvimento em favor das gerações futuras.

Se, para muitos, a economia solidária é apenas uma utopia como horizonte de esperanças, para milhões de outras pessoas ela é uma forma concreta de trabalhar, produzir, comercializar, consumir e intercambiar valores. É forma de satisfazer necessidades pessoais e sociais visando o bem-viver de todos. Para mim, ela é base material da revolução das redes.

Por Euclides André Mance - Março de 2007
(Tradução sintética ao Inglês em http://www.turbulence.org.uk/solidarityeconom.html)

Um comentário:

Flávia Andreza de disse...

Conheci o blog hoje! Achei super rico! Parabéns!!!!